10 Hectares de mata derrubados: O preço para o aterro de FRG continuar operando

O destino dos resíduos sólidos de Curitiba e de outros 25 municípios da Região Metropolitana atravessa um momento crítico. O aterro sanitário localizado em Fazenda Rio Grande, que recebe o lixo produzido por mais de 3 milhões de pessoas, opera hoje sob o desafio de esgotamento de sua capacidade e impasses ambientais que se arrastam há anos.
De acordo com dados do consórcio intermunicipal e da empresa Estre, responsável pela operação, o aterro já atingiu seu limite teórico em dezembro de 2024. No entanto, o fluxo de caminhões permanece constante: enquanto uns descarregam toneladas de resíduos, outros cobrem a “montanha de lixo” com terra, em uma tentativa de manter a operação ativa enquanto uma solução definitiva não é implementada.
O Impasse Ambiental e Judicial
A expansão do aterro para garantir a continuidade do serviço exigiu medidas drásticas. Para abrir espaço para novos depósitos, foi necessária a supressão de 10 hectares de floresta. Inicialmente, o IBAMA negou a autorização, argumentando que a vegetação local funcionava como um corredor ecológico vital para diversas espécies e abrigava árvores de grande porte.
A situação só mudou após uma decisão da 11ª Vara da Justiça Federal, que autorizou o corte. Com o respaldo judicial, a presidência do IBAMA à época assinou a anuência para a supressão da área. Contudo, mesmo após mais de um ano da retirada das árvores, o despejo de resíduos na nova célula ainda não foi plenamente iniciado.
Aumento da Vida Útil e Falta de “Plano B”
A Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba informou que o despejo na nova área foi interrompido temporariamente, mas deve ser retomado em breve. Segundo a Estre, o aterro recebe cerca de 3 mil toneladas de lixo por dia. Com a liberação deste novo espaço, a estimativa é que a vida útil do local seja estendida por mais 7 anos.

Especialistas e gestores públicos alertam para a falta de um “Plano B” viável a curto prazo. Sem uma alternativa tecnológica ou uma nova área licenciada para o pós-2030, a dependência deste aterro coloca a gestão de resíduos da capital e região em uma posição vulnerável.
Compensação e Próximos Passos
Enquanto a nova área se prepara para receber o lixo, a empresa operadora afirma estar em fase de análise para a compensação das áreas verdes degradadas. O processo busca mitigar o impacto ambiental causado pelo desmatamento dos 10 hectares, embora ambientalistas questionem se a recuperação será suficiente para restabelecer o ecossistema que servia de abrigo para a fauna local.
Fonte: Reportagem Meio dia Paraná
